quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ciro

Conta com cerca de 720 mil  de área verde, este é um dos mais conhecidos parques da cidade. Além da área verde, há também quadras poliesportivas, parquinhos para crianças, equipamentos de lazer e ginástica, pista de cooper com 3.500 metros de extensão, ciclovia, praça para idosos, área para piqueniquelanchonetes, um posto médico, áreas de concentração e encontros para estudantesturistas e grupos da terceira idade, um amplo estacionamento com capacidade para abrigar 270 automóveis e um anfiteatro, com capacidade para 600 pessoas fazendo parte de sua infra-estrutura.

Isso não é Londres. É Salvador.
A descrição acima é do Parque da Cidade, mas pelo menos 90% dos habitantes só o conhecem como "um lugar onde podem ocorrer estupros e às vezes tem show no domingo".

Uma das coisas mais marcantes de Londres para mim não foi nem a parte urbana mesmo da cidade, os monumentos históricos, o ar harrypottérico, ou mesmo a comida, inquestionavelmente reconhecida como a pior do mundo. Os parques é que me chamaram atenção.

O primeiro deles foi o Regent's Park, que fica a duas estações de metrô do meu albergue. Tive o prazer quase orgástico de conhecê-lo no fim de tarde do meu primeiro dia na cidade, o que me deixou estupefato com tanta beleza.

(Isso é no verão, quando ainda é mais incrível)

Ainda tive o prazer de conhecer outros, como o Green Park, o jardim atrás da igreja de Saint John's Wood, o Hyde Park com uma curitibana que conhecido num free tour e dezenas de pracinhas por ruas minúsculas, com estátuas engraçadas onde tirei fotos de um típico turista idiota.

(Para eles deve ser como tirar foto na Praça da Piedade)

Ao andar no tanto no Regent's Park como no Hyde Park (que são imensos, de uma imensidão próxima à do universo) tentei imaginar como seria ter parques assim em Salvador. Seria magnífico, mas difícil.

Não quero ser aquele tipo de abestalhado que saiu da cidade pra ficar falando que na Europa as coisas são melhores. Cada lugar, obviamente tem suas peculiaridades e eu não troco Salvador por nenhum outro lugar. Com todos os defeitos, qualidades e baianidades.

Mas é muito estranho adaptar um parque londrino à realidade de Salvador. São espaços amplos, geralmente dedicados à rainha ou alguém que provavelmente não vai lá vê-los, cheios de árvores, fontes e patos. O que mais chama atenção são os caminhos que vão dar em locais um tanto sombrios, solitários e em tese propícios a encontrar toda sorte de delinquentes, assaltantes, estupradores e flanelinhas que jogam água suja no parabrisa de cidadãos de bem.

Se em Salvador o bicho já pega em lugares como o Parque da Cidade, o Aeroclube ou mesmo o Tamina Park, acredito que locais assim aumentariam a miríade de possibilidades criminosas na cidade. Ou não.

Enfim... Tudo é muito bonito, com ou sem possibilidade de levar um tiro, ser violado ou ter o celular roubado. 



Pra terminar, um videozinho no Regent's Park feito à la @ricardobarroz:




(Só mais uma coisinha: Velho, se você gostou, comenta. Fala qualquer merda só pra eu não achar que estou escrevendo pros patos do Hyde Park...)


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Teodor


As três coisas que todo mundo sabe sobre Amsterdã, mas pergunta do mesmo jeito:


1) Sim, tem prostitutas em vitrines se oferecendo para todo mundo que passa. Algumas bonitas, outras feias, algumas acompanhadas das suas namoradas e todas elas com uma única coisa em comum: a resistência a fotos. Qualquer um que tente levará um murro na cara, será estuprado pelo cafetão, será jogado no canal e terá a câmera destruída sem grandes esclarecimentos.


(Proteção é importante)


2) Sim, dá pra comprar maconha nos coffee shops por 6 euros. Maconha, haxixe e cogumelos mágicos. E eles não deixam você beber álcool nas ruas. E em alguns bares com vista pra rua, você só pode fazer essas coisas se estiver sentado, se estiver em pé é crime. Amsterdã tem regras engraçadas.


3) Sim, eles andam de bicicleta. Muito. A cidade é toda estruturada para o tráfego das bikes e as pessoas aqui são meio psicopatas em relação a isso. Não existe uma diferença muito grande entre a pista de carros, a calçada e a ciclovia. Pra mim era tudo a mesma coisa e só ouvia os ciclistas me xingando em alemão.


(Um estacionamento típico)


Inclusive fiz um passeio de bicileta! À noite. Chovendo.


Tive a sorte de ficar hospedado na casa de um romeno muito gente boa que me levou para conhecer o centro pulsante da cidade numa quarta-feira de noite e ver as piriguetes dançando nas vitrines, os turistas ávidos para escolher qual delas desfrutar por 15 minutos por 50 euros e por aí vai...


(O melhor host do mundo)


No dia seguinte me juntei ao free tour e saí conhecendo alguns prédios históricos, praças cheias de pombos, lojas de souvenires sobre sexo e coisas lisérgicas e seis esculpidos no chão perto de igrejas.


Amsterdã tem histórias realmente interessantes. Foi uma pena ficar só duas noites. 


(Pedi pra mulher tirar essa foto e a  primeira reação dela foi achar que eu era um drogado que queria vender a câmera pra sustentar o vício.)







quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Aparecida

Para quem está acostumado a desde pegueno enfrentar viagens de ônibus de Salvador para Nova Soure, rodar de buzão pela Europa parece fácil.

E na verdade até que é.

A parte mais chata mesmo é o tempo sem fazer absolutamente nada. Olhando para cima e pensando na vida.

Mas até já desenvolvi técnicas de passar o tempo nessas situações em virtude da minha experiência na estrada. Peguei um livro pra ler, elaborei tópicos sobre os quais discutir comigo mesmo e procurei mantras para aumentarem minhas chances de fazer uma projeção astral nessas 16 horas de Praga a Amsterdã.

Mas na verdade nem foi preciso tanto. Se eu disser que "nem vi a hora passar" é uma sacanagem sem tamanho, porque entediante foi. Principalmente por saber que isso diminuiu um dia da minha estada em Amsterdã.

Só que não foi uma tortura. O ônibus não era tão luxuoso como qualquer tabaréu tende a pensar só por se tratar de algo europeu, no entanto tinha alguns breguetes que ajudavam a passar o tempo.

Não sentou do meu lado ninguém disposto a conversar, mas pelo menos passaram alguns filmes para me distrair e numa das cinco estações de rádio que tinha, havia uma de música "pop" estrangeira. Vim escutando Eminem e Maron 5. De filme teve Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 1, mas não consegui trocar meu sono para assistí-lo. 

Aliás, consegui dormir até que muito bem. 
Acho que viagens assim te deixam menos fresco pra algumas coisas. Deu um lugar para se encostar depois de ter andado das 8 da manhã às 10 da noite, você dorme. Não importa frio, não importa barulho, não importa movimento, não importa conforto. Se tiver um cachorro urinando em você fica melhor ainda porque a urina te esquenta.

E quando acordei, pude ficar levemente feliz pela escolha de andar de ônibus. Percebi que estava atravessando a Alemanha. Não desci em nenhuma cidade para tirar fotos porque estava frio como a porra, mas pude admirar as casinhas típicas que o pessoal do Rio Grande do Sul invejou.

Passei por Bonn e por Dusseldorf e mais outras que não lembro e não saberia escrever. E ainda passei em Roterdã, o que me lembrou as saudosas aulas de geografia do tempo do Ensino Fundamental.

Em miúdos, para quem estava acostumado em, ao olhar pela janela de um ônibus, ver Olindina - Dona Maria - o entroncamento de Crisópolis - Inhambupe - Catu e Mata de São João, as casinhas germânicas, os bosques, as florestas e um dos portos mais famosos do mundo, foi uma experiência e tanto!

(Nova Soure - Olindina - Dona Maria - Inhambupe - Alagoinhas - Catu - São Sebastião do Passé - Salvador)

Saulo


Algo que vi nesses últimos dias foi que uma das melhores coisas de um mochilão são as surpresas.


Obviamente nem todas elas. Boa parte das surpresas com as quais você se depara são documentos esquecidos, mochilas rasgadas, albergues sem vagas, torneiras de água gelada, mulheres de tromba e por aí vai... (Não que eu já tenha passado por todas elas...)


Mas existem também surpresas boas. E o engraçado é que não precisa ser aquela coisa estrambólica para ser legal. Numa viagem dessas, coisinhas simples são também muito agradáveis.


Os meus dois últimos dias em Praga foram uma prova disso, quando achava que não tinha mais absolutamente porra nenhuma para ver na cidade. E estava desesperado para encontrar algo para preencher 48 horas.


Foi surpreendentemente fácil.


No primeiro dia saí com Saulo, um cearence que está fazendo intercâmbio na Romênia e veio passar o ano novo aqui com o grupo que eu conheci pelo Facebook.


Achei que seria um dia longo povoado de silêncios constrangedores, mas pelo contrário. Saímos caminhndo (leia-se burlando o metrô) pela cidade e não faltava assunto. Vimos onde era sua estação de trem e a minha de ônibus, passamos algumas horas no bom e velho MC Donald's.


Terminamos a noite no Irish Bar perto do grande relógio, conversando sobre a vida, o universo e tudo mais. Uma surpresa bem interessante foi ter encontrado uma garçonete búlgara que falava português muitíssimo bem. Ela aprendeu porque gostou de assistir a novela O Clone. E mais surpreendente ainda foi ser tratado muito bem por ela. (Não sei se já comentei, mas o atendimento aqui nos lugares turísticos é tenso. Mas tenso mesmo. Numa boate, uma garçonete ficou dando cotoveladas numa amiga a noite inteira sem algum motivo que pudéssemos compreender.)


(Minha vista estava assim.)




Voltar pro hostel ainda foi legal porque tive novos colegas de quarto. Um americano chamdo Austin que estava fazendo um mochilão ainda mais doido que o meu e o chinês Shao Wei, que mora na Alemanha e veio só conhecer a cidade por dois dias.


Conversamos bastante. Ou pelo menos o que Austin deixou, porque ele falava muito e não deixava mais ninguém falar.


Estava meio preocupado com o que fazer no dia seguinte, porque teria que fazer o check out no hostel e ficar mais de doze horas vagando pela cidade.


Saí com Wei para o castelo da cidade, que já tinha ido antes com o outro pessoal. Mas dessa vez paguei a entrada e vimos coisas realmente muito interessantes. 


Quando Wei foi embora pra pegar o trem, lembrei que às duas horas haveria o encontro para o free tour, o que se revelou uma das melhores coisas que fiz em Praga.


Pela terceira vez fui para os mesmos pontos turísticos, mas agora com alguém me explicando e apontando detalhes que não tinha percebido. 


Vale muito a pena.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Evaldinho





Sempre me disseram que o sistema de transporte nas cidades europeias é estonteantemente lógico e integrado. Nunca achei que fosse coisa de outro mundo, mas dou meu braço a torcer.


Alguém que até hoje se perde em Salvador em menos de três dias já consegue rodar por toda a cidade sem grandes dificuldades.


Em Praga é realmente muito fácil. Tem trens noturnos, ônibus, metrô, barcos... Você nem precisa se preocupar com táxis. Ou melhor, deve se preocupar com táxis... em NÃO usá-los. Vim pra cidade lendo apenas isso: não use táxis em hipótese alguma! (A não ser aqueles com o símbolo 'AAA'). Todas as pessoas falam que aqui eles te roubam, te matam, te estupram e ainda dão o troco errado!

Usei mais o metrô, que é muito legal. E Praga ainda tem uma particularidade muito interessante. Não funciona com catracas.

O que faz com que as pessoas paguem pelo transporte, além senso cívico, são fiscais à paisana que multam em quatrocentas coroas (cerca de quarenta reais) se pegarem alguém fazendo algo errado, mas convenhamos que se você está saindo de uma boate às quatro da manhã num frio desgraçado é altamente provável que não tenha ninguém para conferir seu bilhete.

Burlar o sistema do metrô pra um turista de Salvador equivale a comer chocolate nas Americanas sem pagar. Uma vez na vida todo mundo já fez ou vai fazer.

Quem mora aqui tem um cartão recarregável, mas no meu caso são bilhetinhos de papel que devem ser validados em maquininhas especiais, que o carimbam com a data e a hora a partir das quais ele passar a viger.

Diferente de outros lugares, vocês não paga pela passagem em si, mas pelo tempo que usa o sistema integrado, seja trinta minutos, uma hora ou três dias.

Assim que cheguei no aeroporto, comprei o máximo que pude, achando que estava no lucro. Paguei cerca de 32 reais. Achei que saí no lucro, mas foi como rasgar dinheiro.
E o pior é que praticamente rasguei. Como Salvador só terá metrô quando ACM ressuscitar para julgar os vivos e os mortos, as referência que eu tinha disso eram muito poucas. O tabareu aqui ficou colocando o ticket de três dias várias vezes na máquina de validação. Só que isso na verdade rasura o bilhete, porque fica um carimbo em cima do outro e o fiscal não conseguiria ver a partir de que horas o bilhete funciona.


Assim, eu já estava na informalidade qualquer jeito. Não iria comprar outro bilhete.

Passei a viver perigosamente. Comprei mais dois do mais barato e fiz certas maracutaiazinhas pra não pagar, como passar rápido pelos guichês, usar em horários que não tenha muita gente, não andar devagar com cara de turista, carimbar do lado errado pra dar uma disfarçada e continuar com o bilhete intacto pra uma emergência e se um fiscal vier tirar satisfação, falar só em português e dizer "próxima, próxima" como se fosse apenas mais uma vítima desse capitalismo opressor.



Por enquanto deu certo assim.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Amanda

Dizer que a vida noturna de determinada cidade é agitada ou não é um tanto complicado. Varia de quem está falando. Mas não tenho o que reclamar de Praga.

Me sinto em dias de carnaval em Salvador, com a diferença de que aqui há uma grande chance de se morrer de hipotermia a qualquer vacilo, então não se veem pessoas semi-nuas nas ruas ou urinando nas calçadas.

Mas tirando isso é bem parecido. A qualquer momento que você ande, tem gente caminhando. E mesmo se não ninguém, apesar de você ficar olhando para os lados esperando assaltantes, os nativos afirmam que isso não existe aqui.

Saí todas a noites até agora.

A primeira delas foi ainda cheirando a Portugal, praticamente logo ao sair do aeroporto. Contactei Amanda Coelho, que conheci por um grupo no Facebook e encontrei ela e alguns amigos seus.

Fomos num pub fazer um esquente e depois fomos a uma boate famosa, com um nome estranhamente parecido com Kart Love.

Não tocou arrocha (sinceramente para o meu desgosto).

A boate é uma coisa fantástica, com cinco andares, cada um com um ambiente bem diferente. Era muito interessante.

O povo daqui não parece gostar muito dela porque só dá turista. Realmente, escutei mais português ali dentro do que tcheco, mas só aumentou a graça do negócio.

Essa fo a primeira vez que me senti em Eurotrip, na parte que eles estão em Bratislava. Mas só porque aqui na República Tcheca dá para pagar as coisas com uma moedinha.

Quando você converte, um dose de tequila nessa boate é cerca de 8 reais. Menos que em Salvador, mas nada absurdo. O negócio é que você se sente rico tirando uma moeda do bolso e pagando tudo só com ela. Se o Brasil adotasse isso, eu seria mais feliz.

Ficamos até umas quatro.

Na noite seguinte fomos a outra boate, mas ao gosto dos nativos, mas ainda assim cheia de turistas. Igualmente divertido. Tinha todo tipo de maluco fazendo todo tipo de dança. E as músicas foram bem engraçadas. Até agora não ouvi nada em tcheco, mas em mais de uma situaçao escutei " para bailar isso aqui é bomba".

E na terceira noite foi o Réveillon. Mais doido ainda.

Minha próxima parada vai ser Amsterdã e pra chegar lá vou ter que encarar mais de doze horas de viagem. De repente não parece tanto tempo pra colocar o sono em dia...




Claudia


Sou fã do MC Donald's. Pode ser símbolo do imperialismo americano, financiar guerras pelo mundo e reduzir seus funcionário à condição análoga à de escravo, obrigando-os a trabalhar até às onze da noite de ano novo e reabrir meia hora depois da queima de fogos, mas manteve o lugar aberto justo no momento em que as únicas coisas que eu precisava eram um lugar pra ficar por cinco horas, uma refeição quente e barata e um lugar pra aliviar a bexiga (ainda que cobrando cinco coroas).

O reveillon em Praga foi uma das coisas mais loucas que eu já vivi, sem exageiro nenhum. Nunca tive a mesma certeza de uma amiga minha de que seu mochilão seria como no filme Eurotrip, mas agora vejo muitas  daquelas coisas acontecendo por aqui.

A primeira coisa a respeito dessa passagem de ano para a minha pessoa é que eu já estava no lixo. Dormi apenas quatro horas após ficar a noite inteira numa boate e depois ainda sai para turistar com uns brasileiros com quem fiz amizade. Só que antes disso tive que fazer o check out no albergue porque não havia lugar disponível naquela noite. Então já sai preparado para a festa às 10 da manhã, sem ter a mínima ideia de como ela seria.

Depois de passar um dia inteiro conhecendo essa cidade encantadora , tive que esperar os brasileiros se arrumarem mofando no MC Donalds. Mas era isso ou ficar no ponto de congelamento da água.

Eles chegaram atrasados no ponto de encontro e eu me desesperei um pouco. Mas no final deu tudo certo.

Ou melhor, depende muito das definições de "tudo" e de "certo".

Uma coisa interessante sobre o Réveillon de Praga é que é meio parecido com o São João. Até onde pude perceber, você só não acha fogueiras em frente às casas. De resto é igualzinho a uma briga de espadas em Cruz das Almas.

A rua estava cheia de turistas do mundo inteiro. Já tinha enchido o saco de encontrar brasileiros, mas dessa vez o que mais encheu foram os italianos.

Eram os mais escandalosos e só se via grupinhos deles gritando "vaffancullo" e soltando fogos. Jogavam bombas, rojões e até chuvinha eles tinham nas mãos. Só faltaram os buscapés para que eu me sentisse atravessando a rua do Barril em Nova Soure em junho.

A questão mais complicada é que em Nova Soure não tem patrimônio histórico tombado pela ONU (ainda), mas Praga tem. Eles (sobretudo a italianada) estava soltando os fogos incomodamente próximos ao relógio de Praga e a outros prédios históricos. A polícia ficava só olhando.

Algo mais interessante ainda é o show de fogos da cidade. Pelo que vi foram uns quinze minutos de um espetáculo inacreditavelmente belo. É claro que em muitas outras cidades deve haver fogos bonitos assim, mas Praga ganha por uma coisa: interatividade.

O negócio é no meio da Carl's Bridge. A prefeitura promove os fogos principais, mas da multidão só se veem gaiatos querendo fazer concorrência. Você não sabe se fica admirando tudo aquilo ou se teme pela sua vida, porque os fogos batem nos prédios e voltam na sua direção e estouram perto da sua cara. Do meu lado mesmo, tinha uma árvore pegando fogo.

Mas foi um espetáculo realmente incrível.



A festa foi ainda mais maluca.

Primeiro porque nos perdemos do grupo original. A muvuca na rua estava tão grande, que quando caminhávamos em direção à ponte, quase morremos pisoteados como a fã de Rebelde no show em São Paulo. Do nada a multidão começou a empurrar para trás deixou difícil manter o equilíbrio (incluindo o mental).

Acabou que ficamos só eu, duas brasileiras que conheci pelo Facebook (Amanda e Renata), um trainee que veio fazer intercambio na cidade (Eugênio) e dois argentinos que as meninas conheceram em Varsóvia que apareceram lá só para a festa (Guillermo e Julian).

Depois dos fogos saímos feitos doidos pela cidade atrás de um pub ou algo parecido. Achamos alguns bem legais, mas na hora de entrar avisavam que estava lotado.

Paramos num mercadinho (que supria os italianos com os fogos) e compramos algumas cervejas. Escolhemos as mais quentes porque elas gelariam rápido assim que saíssemos na rua. Sério. Ao sair encontramos um trio de portugueses e ficamos conversando muito.



Depois de muito rodar chegamos a um lugar nada a ver: uma espécie de boate improvisada so saguão de um shopping. Estava bombando. O bom é que era de graça entrada. O mais tenso era que tinham uns três mendigos lá dentro que entraram pra espantar o frio e aproveitaram a viagem. Um deles inclusive ficou queixando uma piriguete drogada que se esfregava em todo mundo.

Nessa hora perdi minha raiva dos italianos. Juntou-se a nós um grupo muito gente boa vindo de Torino e conversamos muito o tempo inteiro. Eles não falavam inglês e as aulas de Silvia tiveram que servir pra me fazer de tradutor.


 

Depois ainda fomos no MC Donald's comer e de lá seguimos pra outra boate. A que conhecemos na noite anterior e onde passei uma noite não dormida.

De lá, às 7 da matina (com cara de quatro da madrugada) ainda fui tirar um cochilo na casa de dois outros trainees (Vitor e Leo) para não ficar no sereno porque ainda não podia entrar no hostel.

Agora cá estou eu, mais uma vez nesse maravilhoso estabelecimento que escraviza seus funcionários para me dar abrigo, à uma e meia da tarde, esperando dar três pra poder dar check-in de novo, e escrevendo esse texto do celular para fazer o tempo passar.